Arrecadação pode mascarar realidade econômica

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Tornou-se rotina do noticiário se saber que a arrecadação federal bateu um novo recorde. Porém, simultaneamente, ocorre a divulgação de que a produção industrial vem caindo também de maneira sistemática. Por isso os melhores analistas lembram que o avanço da arrecadação no primeiro bimestre de 2012 é reflexo da evolução do mercado de trabalho no País, puxado pelo setor de serviços. É que o setor de serviços tem sido beneficiado pela forte concessão de crédito. A expansão do estoque de crédito e da arrecadação federal em fevereiro subiu, respectivamente, 17,3%, nos 12 meses até fevereiro, e 12,10% na relação com o mesmo mês de 2011. O impulso da renda dos trabalhadores neste ano deve levar o varejo restrito a apresentar uma elevação de 10% ante 2011.  O nível de emprego, que aumenta a formalização das empresas, e a manutenção do bom ritmo do consumo, devem elevar a receita do governo em 12% nominais em 2012 em relação ao ano passado. O contraponto a esse parcial quadro favorável da economia, como citado, é o fraco desempenho da produção industrial, que caiu 3,4% em janeiro ante o mesmo mês do ano passado. Em fevereiro esse indicador deve apresentar uma retração de 7,7% ante mês semelhante do ano passado, enquanto para março acredita-se que deva ser registrada uma queda de 4% em relação a março de 2011.

Apesar dos resultados favoráveis da arrecadação e do crédito, os fracos resultados da indústria de janeiro a março indicam que o nível de atividade do País está frágil. Assim, haverá uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,5% no primeiro trimestre. Para todo o ano, a estimativa de PIB é de 3,5%, contra o otimismo da equipe econômica, que aposta em 4,5%. Devido ao desempenho abaixo do esperado da economia nestes três primeiros três meses do ano, a previsão para o PIB em 2012 será revista e deve ficar próxima de 3%, ainda segundo abalizados analistas econômico-financeiros. A atividade do setor manufatureiro deve cair 5% no primeiro trimestre ante os mesmos três meses do ano passado. Esse resultado negativo tende fazer com que o PIB do País de janeiro a março fique nulo ante o mesmo período de 2011. Assim, a produção industrial deve crescer somente 1,7% em 2012, mesmo depois de ter ficado estagnada e ter apresentado um avanço de apenas 0,3% em 2011.

A adoção de políticas pelo governo para estimular o nível de atividade, como a redução dos juros pelo Banco Central e medidas de incentivo ao consumo das famílias, caso da prorrogação de redução do IPI para produtos da linha branca, deve fazer com que o crédito cresça 17% neste ano, acima da previsão de 15% do BC. O estoque de recursos destinados a financiamentos alcançará 52% do PIB em 2012. Haverá um crescimento de 4,8% da massa real de salários neste ano, enquanto a taxa média de desemprego deve cair de 6% em 2011 para 5,2%.  O pessimismo vem do fato de que o PIB não deve ficar muito distante da alta de 2,7% registrada em 2011. Depois de levar a Selic para 9% em abril, é provável que o Banco Central continue a cortar a taxa, para 8,75% ou até 8,5% no mês seguinte, para dar um pequeno impulso adicional ao nível de atividade, na opinião dos analistas. (Jornal do Comércio do RS).

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