segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Contabilidade em Órbita: A nova ordem Contábil


por Angelo Roncalli

Estava há alguns anos na empresa de distribuição de energia elétrica da Bahia e uma senhora bradava aos ventos: “Meu contador não funciona. Meu contador está com problema !”

Não demorei para entender que o contador nesta referência era o aparelho destinado a medição da energia elétrica consumida por cada família. Fato inusitado, para uma reflexão sobre nosso ofício.

O prof. Dr. Antonio Lopes de Sá fazia questão de chamar a profissão de contabilista e não contador. Acho de grande justiça, esta indistinção entre bacharéis e técnicos em contabilidade. Encontrei nesta minha pequena experiência de vida contábil, quase 17 anos, excelentes técnicos contábeis, capazes de complexas discussões e entendimentos inovadores, bem como, bacharéis desatentos às constantes mudanças conceituais de nossa convivência profissional.

Percebi então muito cedo, que esta profissão também está pautada na experiência, na vivência com negócios, do que simplesmente na formação técnica. Formei-me técnico em contabilidade aos 17 anos. Comecei a trabalhar em escritório contábil aos 18 anos.

Um fato novo em minha carreira foi a possibilidade de ingressar na Graduação em Ciências Contábeis. Achava o curso quadrado demais. Quando no início da década passada, capitaneado pelo prof. Agnaldo, reformulamos a grade curricular do Curso de Ciências Contábeis da Facape, que é um dos melhores cursos do estado de Pernambuco. A Facape, atualmente, concorre com algumas faculdades de Educação à Distância, que habilitam o profissional contábil com menor tempo de aulas presenciais.

A formação acadêmica é capaz de formar grandes pensadores quando o mundo atual precisa de pessoas que façam acontecer as coisas. É um contrasenso dos tempos atuais, que a academia precisa reconhecer, e se for o caso, reverter concretamente, não apenas no discurso ideológico.

Ao meu ver, a profissão contábil ganhou e ganha destaque em nossa região, remunerando os profissionais de forma melhor e possibilitando o surgimento de escritórios de contabilidade em larga escala. Vários colegas do meu tempo de faculdade estão trabalhando na área ou partiram para escritórios e poucos, pouquíssimos, conseguiram passar em concursos públicos (o que era um sonho de pelo menos 8 entre 10 colegas).

Um fato que chama atenção, é o modelo de trabalho de alguns escritórios, que ainda se mantém como se significativas mudanças não tivessem acontecido.

Uma delas, e em especial, é o SPED. Este sistema revolucionou o modo de operação das empresas. Exigindo cada vez mais uma organização impecável nos controles internos, que passa primeiramente pela educação tributária do empresário, pelo modelo de gestão da organização, pelo dimensionamento dos riscos empresariais inerentes a cada negócio.

Outra delas é o novo ordenamento contábil brasileiro. Com a lei contábil, Lei 11.638/2007,com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, um nova ordem, pelo menos tupiniquim, ao elemento contábil de todas as organizações. Obrigando todos os contabilistas revisitarem a sala de aula para reaprender novas formas. Em alguns casos, inovar em pensamento de mensuração. Ou mesmo aprender a gerar uma fotografia da empresa com máquina digital, instantânea, em tempo real, com as benesses da tecnologia inspiradas pela criatividade.

Muito se fala em inovação, penso que inovação, no nosso segmento, é redimensionar processos, criar condições favoráveis para a prestação dos serviços, em modelos que atendam um perfeito entendimento de interesses: cliente, contabilista e demais usuários da contabilidade. Criando um ambiente voltado para resultados e não desculpas, potencializando a capacidade da empresa obter lucros econômicos e sociais, para que o contabilista tenha possibilidade, capacidade e habilidade de participar disso tudo.

Para que no momento que alguém ouça: “Meu contador não funciona. Meu contador está com problema”, não tenha dúvida que se trata de um objeto para medir energia. Não se trata de um profissional que milita nas ciências contábeis.

Angelo Roncalli, 35, Contabilista, Escritor, Palestrante, Membro Efetivo da Academia Juazeirense de Letras, sócio da Orbitais Negócios Integrados.

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