domingo, 18 de março de 2012

Métodos quantitativos em contabilidade: a Contabilometria

por Carlos Cesar D'Arienzo

Ciência (de modo geral) não é uma coleção de pensamentos colhidos com o fim de tirarmos deles uma média harmônica. Mas deve-se ter em mente que não se perde praticidade profissional ou acadêmica ao se melhorar a própria instrução com mais conhecimentos de História, Filosofia e Política, essa idéia é típica de países atrasados em que não se conseguiu fazer combinação eficiente de educação com o desenvolvimento sócio-econômico; pois, só há produção de informação quando ocorre variedade de possibilidades.

Se se diz que uma dada Ciência é Aplicada, é porque possui, naturalmente, um corpo de teorias que a fundamentam. Ainda que sua aplicabilidade possa gerar variações, tantos quantos forem os muitos usos que dela (aplicabilidade) possam-se fazer, sem que se desrespeitem os princípios das Teorias. Para tal, são utilizados princípios lógico-matemáticos que tratam de operações de intersecção, complementação e diferenciação entre as Ciências.


A Contabilidade como Ciência também passou por esse processo (longo e difícil) histórico, sua evolução de princípios e conceitos técnicos associados ao trabalho rotineiro das organizações, ganhou a condição de Ciência, aqui descritos por Cerboni como estágios evolutivos (1880 apud Silva e Martins 2009, p. 94):

"Um primeiro, de desagregação, não contando com nenhum prestígio, não sendo seriamente estudada; o segundo, quando atinge um ponto racional, lógico e científico, no qual, demonstrando sua utilidade, torna-se admirada; o terceiro estágio, de evolução e organização, ocorre quando a disciplina se purifica e atrai uma massa considerável de estudiosos."


Mas a ciências e as técnicas nos possibilitam (ou exigem) que antecipadamente saibamos os efeitos possíveis das medidas administrativas, contábeis e econômicas adotadas. Somente a prática não fornece ciência (conhecimento) ou capacidade aguçada para entendermos a natureza dos negócios empresariais e sobre as possibilidades enfrentadas pelas organizações, esse é pensamento reinante nos países atrasados em que não se conseguiu fazer a interação entre ciência, técnica e profissionalismo.

Barre, (1964, p.18) afirma sobre as Ciências Sociais:

"Uma Ciência Social decompõe o real: selecionam fatos,quantidades, atos, organismos, dando-lhes certa qualificação, É uma abstração que serve para apreender a realidade a partir de determinados termos de referência, segundo certo esquema de interpretação. Propõe uma teoria que serve para organizar fatos isolados ou verificações esparsas e constitui um fio de Ariadne na complexidade desorientadora da realidade."

Embora este trabalho verse sobre Técnicas Matemáticas e Estatísticas associadas às Teorias Contábeis, não se devem desprezar as limitações dessas duas ciências, conforme Heidegger, (2000, p.97):

"Justamente, sob o ponto de vista das Ciências, nenhum domínio possui hegemonia sobre o outro, nem a natureza sobre a história, nem esta sobre aquela. Conhecimentos matemáticos não são mais rigorosos que os filológico-históricos. A matemática possui apenas o caráter de exatidão e este não coincide com o rigor. Entendamos exatidão como restrição (diante das complexidades) e perfeição (sob variáveis determinantes), e, rigor como apuro e culminância."
O ato de decidir constitui-se um processo. Deve levar em consideração procedimentos e técnicas que se seguidos corretamente e respeitando-se a natureza do objeto em estudo, contribuem para a solução da questão abordada pelo profissional. Andrade (2000, p.2), assim define um processo de decisão:

"É um curso de ação escolhido pela pessoa, como o meio mais efetivo à sua disposição para alcançar os objetivos procurados, ou seja, para resolver o problema que a incomoda." 

Logo, a decisão culmina com a resolução do problema observado e estudado, que ocorre geralmente por intermédio da percepção de eventos, de que algum acontecimento está alterado em relação ao que pode ser considerado padrão ou normal, saindo do estado normal esperado, planejado e programado.

Kaufmann (1981, p.13), assim expõe seus argumentos e questionamentos sobre as razões para se tomar decisões sobre bases técnico-científicas:
"Devemos agir e tomar decisões, apenas baseados em intuições? Pode alguma coisa ser realizada sem certos tipos de inteligência mais elevada, ou seja, os talentos preciosos de poucos indivíduos geniais que, em Política, Negócios ou Administração, têm causado enormes sucessos ou terríveis catástrofes? Ou estamos nós agora na posse de certas formas de conhecimento, e mais particularmente de métodos, que nos possibilitam trazer para a instituição uma quota adicional da lógica matemática, que substitui, até certo ponto, o empirismo puro? Os argumentos de todos os que acreditam na preparação científica das decisões, demandam que empreguemos melhor essa mesma intuição valorosa porque é óbvio que ela não pode ser substituída na sua totalidade por mecanismos puramente lógicos."
Tem-se com isso, o início do processo da tomada de decisão, a começar pela fase de identificação do problema observado. Corrar e Theóphilo (2011, p.284) argumentam sobre Decisão:
"Decisão pode ser definida como a escolha que alguém realiza, dentre, no mínimo, duas alternativas possíveis, utilizando o meio que julga ser o melhor disponível para atingir um determinado objetivo. [...] Uma decisão pode estar restrita a uma escolha simples entre duas alternativas, como, por exemplo, efetuar, ou não, uma venda a prazo;ou a escolha de um curso de ação mais abrangente, por exemplo, lançar, ou não, uma nova linha de produtos."
Segundo as observações de Kaufmann (1981), mais complexo e diverso tem se tornado o mundo, influenciado (seu desenvolvimento) positiva ou negativamente pelas multiformas de progresso material, que exigiu das sociedades uma nova apreciação de valores ou conceitos sobre civilização e civilidade. Para Kaufmann (1981, p.13), essa nova apreciação de valores pode ser expressa da seguinte forma:
"O homem de negócios será obrigado a adquirir os princípios básicos de uma nova ciência que foi criada para ele: a 'praxiologia'. Do Estado até a família, em todos os grupos aos quais pertencerão, nossos filhos brevemente se tornarão conhecedores de modelos e diagramas que os ajudarão a compreender os mecanismos do mundo. Eles serão talvez mais capazes do que nós de projetar hipóteses no futuro (futuro próximo). Eles aprenderão como construir 'praxiogramas' ou modelos matemáticos de ação."

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