terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ex-chefe do Grupo Silvio Santos é indiciado pela PF, diz advogado

O ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval, foi indiciado nesta terça-feira (1) pela Polícia Federal, no inquérito que apura o rombo de R$ 4,3 bilhões no Banco Panamericano. Segundo o seu advogado, Alberto Zacharias Toron, Sandoval foi indiciado por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e divulgação de informação falsa sobre a instituição financeira.

De acordo como advogado, em depoimento prestado nesta terça-feira, o ex-chefe do Grupo Silvio Santos fez questão de responder a todas as perguntas feitas pelo delegado Milton Fornazari Jr, que preside o inquérito. "Ele afirmou que não participou de fraudes e que não tinha conhecimento delas", explicou Toron, lembrando que Sandoval já tinha comparecido espontaneamente à PF, em dezembro, para prestar esclarecimentos.

"São conclusões do delegado, que não necessariamento serão endossadas pelo Ministério Público. 

Caso vire uma denúncia, vamos tomar as medidas cabíveis", disse o advogado.

O criminalista destacou que o seu cliente não foi indiciado por lavagem de dinheiro. “Mesmo reconhecendo que ele não participou das fraudes praticadas, a autoridade policial o indiciou por formação de quadrilha e gestão fraudulenta, o que revela uma contradição”, disse. “Ele era do conselho de administração, mas não tinha conhecimento do dia a dia do banco e afirmou que ficou absolutamente surpreso e perplexo quando soube das baixas”, acrescentou Toron.


Procurada pelo G1, a Polícia Federal informou que não daria informações sobre processos em andamento.

Sandoval saiu do comando do Grupo Silvio Santos em novembro do ano passado, após permanecer 28 anos no cargo. No seu lugar, assumiu o sobrinho de Silvio Santos, Guilherme Stoliar, até então diretor executivo no SBT.

Nesta segunda-feira, o ex-diretor superintendente do banco Panamericano Rafael Palladino foi indiciado pela Polícia Federal  no mesmo inquérito, segundo a advogada de Palladino, a criminalista Maria Elizabeth Queijo.

Segundo a defesa de Palladino, o ex-diretor foi indiciado por pelo menos cinco crimes, incluindo formação de quadrilha e os artigos 4, 6 e 10 da lei do colarinho branco, que trata de crimes contra o sistema financeiro. No depoimento desta segunda-feira, o ex-diretor ficou em silêncio. "Foi um ato de protesto. Toda a investigação transcorreu sem que fôssemos chamados uma única vez. Ele só foi chamado agora para ser indiciado, não tivemos sequer acesso aos autos que levaram a essa decisão", disse a advogada.

Histórico
 
Em novembro, após a descoberta do rombo, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) organizaram um plano que resultou na injeção, pelo FGC, de R$ 2,5 bilhões no Panamericano para reforçar o seu balanço e evitar uma corrida aos depósitos. O FGC emprestou o dinheiro a Silvio Santos, que deu como garantia as empresas do seu grupo. Na ocasião do anúncio da venda para o BTG, o fundo anunciou um repasse adicional de R$ 1,3 bilhão, somando um total de R$ 3,8 bilhões.

O banco, que pertencia ao Grupo Sílvio Santos, foi comprado em janeiro pelo banco BTG Pactual, que se tornou acionista majoritário com 37,6% das alções do banco. A Caixapar, da Caixa Econômica Federal, possui 36,6% das ações, e o restante é pulverizado no mercado.

Em balanço divulgado em fevereiro, o Banco Panamericano informou que além do rombo inicial de R$ 2,5 bilhões, "a administração identificou irregularidades adicionais de R$ 1,3 bilhão inicialmente informados e outros ajustes não relacionados a inconsistências no valor de R$ 0,5 bilhão", totalizando o valor de R$ 4,3 bilhões.

Segundo identificou o Banco Central, a instituição mantinha em seu balanço como ativos carteiras de crédito que haviam sido vendidas a outros bancos. Também houve duplicação de registros de venda de carteiras, inflando o resultado do Panamericano.

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