segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PF indicia ex-superintendente do Panamericano, diz advogada

O ex-diretor superintendente do banco Panamericano Rafael Palladino foi indiciado nesta segunda-feira (31) pela Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga se houve crimes contra o sistema financeiro nacional durante a gestão da instituição, que teve um rombo de R$ 4,3 bilhões. A informação é da advogada de Palladino, a criminalista Maria Elizabeth Queijo.

Segundo a advogada, Palladino foi informado do indiciamento assim que chegou para o depoimento marcada nesta segunda-feira, na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, pelo delegado Milton Fonrnazari Júnior, que conduz o inquérito.

"Ele foi indiciado e não respondeu ao interrogatório", disse Maria Elizabeth. Segundo a advogada, Palladino só vai prestar declarações perante "uma autoridade imparcial", no caso a Justiça.

"Foi um ato de protesto. Toda a investigação transcorreu sem que fôssemos chamados uma única vez. Ele só foi chamado agora para ser indiciado, não tivemos sequer acesso aos autos que levaram a essa decisão".

Segundo a defesa de Palladino, o ex-diretor foi indiciado por pelo menos cinco crimes, incluindo formação de quadrilha e os artigos 4, 6 e 10 da lei do colarinho branco, que trata de crimes contra o sistema financeiro. A advogada explicou que só nesta terça-feira terá acesso aos autos e saberá exatamente quais delitos são atribuídos ao seu cliente.

Procurada pelo G1, a Polícia Federal informou que não daria informações sobre processos em andamento.
Ao sair da PF, Palladino disse aos repórteres que é vítima de "um linchamento público" e que sempre realizou "trabalho sério, honesto" no período em que atuou no grupo Sílvio Santos.

"Trabalhei 22 anos no grupo Sílvio Santos, minha conduta sempre foi ilibada. Nunca teve nada que me desabonasse", disse. Ao ser indagado sobre os desvios no banco, apontados pela PF, Palladino disse: "Primeiro a gente põe em dúvida o rombo".
Histórico
 
O Banco Panamericano, que pertencia ao Grupo Sílvio Santos, foi comprado em janeiro elo banco BTG Pactual, que se tornou acionista majoritário com 37,6% das alções do banco. A Caixapar, da Caixa Econômica Federal, possui 36,6% das ações, e o restante é pulverizado no mercado.

Em novembro, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) organizaram um plano que resultou na injeção, pelo FGC, de R$ 2,5 bilhões no Panamericano para reforçar o seu balanço e evitar uma corrida aos depósitos. O FGC emprestou o dinheiro a Silvio Santos, que deu como garantia as empresas do seu grupo, que incluem uma emissora de televisão e uma fabricante de cosméticos. Na ocasião do anúncio da venda para o BTG, o fundo anunciou um repasse adicional de R$ 1,3 bilhão, somando um total de R$ 3,8 bilhões.

Em balanço divulgado em fevereiro, o Banco Panamericano informou que além do rombo inicial de R$ 2,5 bilhões, "a administração identificou irregularidades adicionais de R$ 1,3 bilhão inicialmente informados e outros ajustes não relacionados a inconsistências no valor de R$ 0,5 bilhão".

Segundo o balanço, o valor total de R$ 4,3 bilhões foi integralmente ajustado no balanço patrimonial e é a soma de: R$ 1,6 bilhão referente à carteira de crédito insubsistente, R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados, R$ 500 milhões referentes à irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 300 milhões referentes a ajustes de marcação a mercado; e R$ 200 milhões referentes a outros ajustes.

Segundo identificou o Banco Central, a instituição mantinha em seu balanço como ativos carteiras de crédito que haviam sido vendidas a outros bancos. Também houve duplicação de registros de venda de carteiras, inflando o resultado do Panamericano.

G1 Economia com informações da Agência Estado

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